Corrente porta-cabos para eletroerosão e corte por fio: óleo, água e lamas
Porque a eletroerosão é uma especificação à parte
Uma corrente porta-cabos numa fresadora vê cavacos e salpicos de refrigerante. Numa máquina de eletroerosão ou corte por fio, vive dentro do fluido de trabalho. Numa máquina de fio submersa, o braço de guiamento inferior, os bicos de lavagem e muitas vezes toda a corrente funcionam sob água desionizada durante todo o turno; numa penetradora, a corrente vive numa névoa de óleo dielétrico e lama metálica. Isso muda o material dos elos, o dos pinos, a forma de drenar a corrente e a forma de blindar os cabos.
A maioria das falhas de corrente em eletroerosão não é mecânica, mas química e elétrica: um elo que incha no óleo, um pino que corrói em água desionizada, uma articulação entupida com lama condutora, ou uma blindagem que abre porque o cabo foi escolhido pela flexibilidade e não pelo dielétrico em que está mergulhado.
Água e óleo são duas correntes diferentes
O corte por fio e a penetração são discutidos em conjunto mas especificados de forma totalmente diferente.
| Tipo de máquina | Exposição ao fluido | Risco dominante | O que muda na corrente |
|---|---|---|---|
| Fio submerso | Água desionizada, imersão total | Corrosão de pinos e molas, água retida | Pinos inox ou revestidos, ranhuras de drenagem, nada de aço carbono |
| Fio com salpicos | Névoa e salpicos de água | Lama compactada nas articulações | Articulações abertas mais proteção, limpeza frequente |
| Penetração a óleo | Petróleo ou dielétrico sintético | Inchaço e amolecimento dos plásticos | Elos de PA ou PPS resistentes ao óleo, sem PVC nem PC |
| Eletroerosão de furos pequenos | Água ou óleo, cursos finos | Muitos ciclos numa corrente curta | Série de passo curto, articulações de baixo atrito |
| Eletroerosão com troca de ferramenta | Névoa de óleo e pó de grafite | Massa abrasiva nas articulações | Pinos com revestimento duro, articulações auto-limpantes |
Não aceite uma especificação única para os dois tipos de máquina. Uma corrente boa em óleo pode corroer em água, e uma corrente com ranhuras de drenagem para água deixa a névoa de óleo entrar diretamente no feixe.
O que o dielétrico faz aos plásticos e aos pinos
Dominam dois mecanismos de falha, e ambos são lentos o suficiente para passarem despercebidos na colocação em serviço.
Inchaço. Os dielétricos à base de petróleo penetram na poliamida e no policarbonato. Um elo de 40 mm pode crescer 0,5 a 1 mm num ano de exposição ao óleo, o suficiente para alterar a folga de funcionamento, tornar a corrente rígida e aumentar o esforço de tração no eixo. A poliamida reforçada com fibra de vidro resiste melhor do que a não carregada, e o PPS melhor ainda, a custo superior.
Corrosão. A água desionizada é agressiva porque não tem iões dissolvidos e retira-os a tudo o que toca. Pinos de aço comum, clipes de mola e suportes zincados corroem. Especifique pinos de aço inox, ou um pino com revestimento duro contínuo na superfície de apoio, e suportes inox em todos os pontos que possam molhar-se.
- Peça o dielétrico concreto contra o qual o fornecedor ensaiou, não uma afirmação genérica de "resistente ao óleo".
- Peça o valor de inchaço após 500 horas de imersão, em percentagem.
- Verifique que nenhuma peça da corrente ou dos acessórios é zincada se a máquina trabalha com água.
- Confirme por escrito o material do pino; "inox" sem grau não é especificação.
Lama: um abrasivo que não devia estar ali
A lama de eletroerosão é metal erodido e material do elétrodo em suspensão no dielétrico. É mais fina do que qualquer cavaco, é condutora e deposita-se onde o caudal é lento. Dentro de uma corrente assenta na folga da articulação e entre o cabo e a parede da cavidade.
As consequências são três. A articulação desgasta-se mais depressa porque a lama é abrasiva. A corrente torna-se condutora entre elos, o que conta numa máquina que procura isolar a peça. E a capa do cabo roça contra uma camada compacta de partículas em vez de plástico liso.
- Lave as articulações com dielétrico limpo em cada manutenção, não com água nem solvente.
- Escolha uma geometria de articulação auto-limpante: folga definida e pino liso, não um labirinto que retém.
- Mantenha a corrente fora da fossa de lamas. Monte-a o mais alto que a geometria permitir.
- Em máquina submersa, verifique se o caudal de lavagem chega à corrente; uma zona morta no tanque é onde a lama se acumula.
Escolha do cabo quando a corrente está no dielétrico
O cabo tem de resistir ao fluido e à flexão. Um cabo de flexão contínua padrão com capa de PVC é a escolha errada por ambas as razões.
| Propriedade | Especificar para eletroerosão | Porquê |
|---|---|---|
| Capa | PUR, ou TPE onde a resistência ao óleo é crítica | O PVC endurece e fende no óleo e liberta plastificante para o dielétrico |
| Blindagem | Trança, mais folha onde o sinal é de baixo nível | A eletroerosão gera ruído de alta frequência que se acopla às linhas de encoder não blindadas |
| Fio de drenagem | Separado, saído nas duas pontas | Uma blindagem ligada só numa ponta é uma antena, não uma blindagem |
| Condutor | Fio fino, classe 6 | Os eixos de eletroerosão de curso curto invertem a alta frequência |
| Cor da capa | Qualquer, mas evitar capas porosas ou tecidas | O tecido absorve dielétrico e retém lama contra o condutor |
Os cabos de sinal merecem cuidado especial numa máquina de fio. A tensão de intervalo e a corrente de descarga são os sinais mais ruidosos da máquina, e o encoder do percurso do fio é o mais sensível. Leve o cabo do encoder o mais longe possível dos cabos de potência dentro da mesma corrente e use um separador vertical em vez de os atar juntos.
Drenagem e controlo de salpicos
Uma corrente submersa sai do tanque cheia de fluido. No curso de retorno leva-o para cima e deixa-o cair na mesa, nas guias lineares e no chão. Dois detalhes resolvem isso.
- Especifique elos com ranhuras de drenagem ou fundo aberto se a corrente for imersa; um elo fechado retém um copo de dielétrico em cada inversão.
- Monte a ponta fixa com ligeira inclinação para o tanque, para a corrente drenar para lá e não para a máquina.
- Coloque um tabuleiro de pingos sob a ponta móvel se a máquina não tolerar fluido na mesa.
- Em máquinas só com salpicos, uma chapa sobre a corrente mantém a pulverização fora das articulações sem selar a corrente.
Se a corrente tiver de ser totalmente selada ao fluido, escolha uma série de articulação selada e aceite o maior esforço de tração. Uma corrente selada não qualificada para imersão contínua enche-se de qualquer forma, e depois não consegue drenar.
Montagem no carneiro Z e em torno do percurso do fio
Numa máquina de fio, o eixo Z é curto e rápido, e o espaço em torno do fio está ocupado pelas linhas de lavagem, pelo mecanismo de tensão e pelo braço de guiamento inferior. Três pontos práticos.
- Mantenha a corrente fora do percurso do fio. Uma corrente que atravessa o fio acabará por apanhar um fio partido e encravar.
- Num curso Z curto, uma corrente vertical com as duas pontas fixas e um laço pequeno costuma ser melhor do que um troço horizontal: drena e ocupa menos mesa.
- Passe as mangueiras de lavagem pelo exterior da curva e use um separador; uma mangueira que atravessa o feixe desgasta os dois.
- Deixe folga na ligação ao carneiro para o curso de manutenção; os técnicos precisam de mover a cabeça à mão com a corrente ligada.
Inspeção numa máquina de eletroerosão
O intervalo deve ser mais curto do que num centro de maquinagem, porque os modos de falha são lentos e ocultos. Verifique cinco coisas a cada 500 horas.
- Rigidez da articulação. Mova a corrente à mão em todo o curso. Uma articulação inchada ou carregada de lama sente-se dura na inversão.
- Corrosão dos pinos. Procure flor de ferrugem ou produto branco de corrosão nas pontas dos pinos, sobretudo no troço inferior.
- Condutividade. Com a máquina isolada, meça a resistência entre dois elos a um metro de distância. Um valor que desce com o tempo indica lama a pontear as articulações.
- Inchaço da capa. Meça o diâmetro do cabo no grampo e a meio vão. Mais de 5 % de crescimento indica absorção de dielétrico.
- Drenagem. Após um turno, procure fluido parado nos elos inferiores. Fluido parado significa drenagem obstruída.
Lista de verificação para eletroerosão
- Tipo de máquina: fio submerso, fio com salpicos, penetração, furos pequenos ou combinação.
- Dielétrico: água desionizada, petróleo, sintético, e a concentração ou condutividade se relevante.
- Se a corrente está imersa em contínuo, apenas salpicada, ou só exposta a névoa.
- Curso do eixo, cadência de ciclos e vida de projeto exigida em ciclos.
- Lista completa de cabos com material da capa, diâmetros e raios, mais a separação necessária entre encoder e potência.
- Requisito de drenagem e se é admissível fluido sobre a mesa da máquina.
- Gama de temperatura ambiente e do fluido, que decide entre materiais padrão e de alta temperatura.
Com estas sete respostas decorrem diretamente o material do elo, o do pino, a geometria da articulação, a drenagem e a especificação do cabo, e a corrente recebida será construída para o fluido em que realmente vive e não para a categoria de máquina a que pertence.
Procura uma corrente porta-cabos para eletroerosão ou corte por fio?
Informe o tipo de máquina, o tamanho do eixo, o número de cabos, a velocidade e a que a corrente está exposta — cavacos, poeira, fluido de corte ou dielétrico. Você receberá a série e a classe de material adequadas — normalmente em um dia útil.
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